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A fortress, a castle and once a prison

May 20, 2019

This fortress was built in 1557 and is located in my hometown - Peniche (Portugal). It has a very long history, it was once a castle, a fort and even a prison. It is considered a national monument since 1938.

 

He was best known in modern history for serving as a prison for political prisoners at the time of the dictatorship that preceded the Revolution of April 25, also known as the Carnation Revolution.

 

It had been a long time since the last time I came here, because for some years he was slightly 'abandoned'. Recently it was thought to transform the building into a hostel (which in my opinion would not have been a bad idea), but decided to preserve the monument as a historical symbol of the freedom of a people who for many years lived under a dictatorship.

 

About a month ago, this fortress reopened the doors to the public, presenting some novelties. Among them a better arranged and organized museum and an exhibition. The Museum of Resistance and Freedom has been in operation since April 27, 2019, but renovation works will only be completed by 2020.

Esta fortaleza foi construída em 1557 e situa-se na minha terra natal - Peniche (Portugal). Tem uma história bem longa, já tendo sido um castelo, um forte e até uma prisão. É considerado monumento nacional desde 1938. 

 

Ficou mais conhecido na história moderna, por ter servido de prisão para presos políticos na época da ditadura que antecedeu a Revolução do 25 de abril, também conhecida como a Revolução dos Cravos. 

 

Já fazia muito tempo desde a última vez que aqui tinha entrado, até porque durante alguns anos esteve ligeiramente 'abandonado'. Recentemente chegou a pensar-se em transformar o edfício numa pousada (o que na minha opinião não teria sido uma má ideia), mas resolveram preservar o monumento como símbolo histórico da liberdade de um povo que durante muitos anos viveu sob uma ditadura. 

 

Há cerca de um mês atrás, esta fortaleza voltou a abrir as portas ao público, apresentando uma série de novidades. Entre elas um museu mais bem arranjado e organizado e uma exposição. O Museu da Resistência e Liberdade está a funcionar desde 27 de abril de 2019, mas as obras de renovação só estarão terminadas em 2020.

In this museum, we have access to the "Parlatório" - the space of the political prison, where the prisoners received the visits of the relatives and friends under strong vigilance. The prisoners were even obliged to speak very loudly for the guards to hear all the conversations. When a guard interrupted the visit, it meant that the prisoner was to be punished. The punishment could be the suspension of the visits, the prohibition of recreation or the sending to the "Secret" (this was called the punishment cell).

 

The trips of the relatives of the prisoners from various parts of the country were very painful and seemed endless. From Lisbon, for instance, the bus took 4 hours to reach Peniche and the same time to return. That means, those who left the capital faced an 8 hour trip to carry out a two-hour visit, which could not even be authorized. A trip that currently takes about 1 hour ...

 

In November 1952, more than 200 women and relatives of prisoners walked the streets of Peniche, protesting against the lack of food in prison. The inhabitants, armed with oars and other objects, joined the manifestation. The protest culminated in the declaration of the state of siege in Peniche.

 

In the resistance to fascism and in the struggle for the conquest of freedom, there was an important contribution of the fishermen, the canning industry and other workers and forces of the democratic opposition in Peniche. The movement of opposition to the regime had here a significant organized expression.

 

The solidarity of the population of Peniche with political prisoners and their families translated into moral support, housing, the donation of food and free transport of parcels by trucking companies. In an attempt to dissuade this spirit of solidarity, the regime exercised threats, pressures, interrogations, searches and vandalism. In the struggle for freedom, many Peniche citizens paid a high price. Barbers, factory workers, naval carpenters, bakers, fishermen and so many others were arrested.

Neste museu, temos acesso ao "Parlatório" - o espaço da prisão política, onde os presos recebiam as visitas dos familiares e amigos sob forte vigilância. Os presos eram mesmo obrigados  a falar muito alto para que os guardas ouvissem todas as conversas. Quando um guarda interrompia a visita, significava que o preso ia ser castigado. A punição podia ser a suspensão das visitas, a proibição de recreio ou o envio para o "Segredo" (assim era chamada a cela de castigo).

 

As viagens dos familiares dos presos, provenientes de várias zonas do país, eram bastante penosas e pareciam infindáveis. De Lisboa, por exemplo, o autocarro levava 4 horas a chegar a Peniche e o mesmo tempo a regressar. Ou seja, quem partisse da capital enfrentava 8 horas de viagem para realizar 2 horas de visita, que podia até nem ser autorizada. Uma viagem que atualmente demora cerca de 1 hora...

 

Em novembro de 1952, mais de 200 mulheres e familiares de presos percorreram as ruas de Peniche, manifestando-se contra a falta de alimentos na prisão. Os habitantes, munidos de remos e outros objetos, juntaram-se à manifestação. O protesto culminou com a declaração do estado de sítio em Peniche. 

 

Na resistência ao fascismo e na luta pela conquista da liberdade, houve um importante contributo dos pescadores, conserveiros e outros trabalhadores e forças da oposição democrática em Peniche. O movimento de oposição ao regime teve aqui significativa expressão organizada. 

 

A solidariedade da população de Peniche para com os presos políticos e suas famílias traduzia-se em apoio moral, na cedência de habitação, na doação de bens alimentares e no transporte de encomendas pelas empresas de camionagem. Numa tentativa de dissuadir este espírito de solidariedade, o regime exercia ameaças, pressões, interrogatórios, buscas e vandalismo a habitações. Na luta pela liberdade, muitos penichenses pagaram um elevado preço. Barbeiros, Operários, carpinteiros navais, padeiros, pescadores e tantos outros chegaram a ser presos.

But the history of this fort is much older ... At the time of the Independence of Portugal, Peniche was still an island. The action of sea currents and winds, over the centuries, led to the sedimentation of the mouth of the São Domingos River, the sands gradually forming a cordon of dunes that, consolidating, united the island to the mainland.

 

The old place of the Ribeira d'Atouguia, at the mouth of this river, was one of the most important Portuguese ports of the Middle Ages, privileged access point to localities of the center of the country. Being the constant target of attacks by English, French and Pirates of Barbaria, King Manuel I of Portugal (1495-1521) commissioned the count of Atouguia to draw up a plan for defense.

 

The construction of the so called castle of the town began in 1557, under the supervision of D. Luís de Ataíde, and was completed around 1570, at the time of the reign of D. Sebastião (1557-1578).

 

At the time of the First World War (1914-1918) German and Austrian were detained there, becoming during the Portuguese Estado Novo (1930-1974), political prison maximum security (1934), when it became the stage of two famous and spectacular escapes.

Over the last few years, this fort has served as the setting for several films, both Portuguese and foreign.

Mas a história deste forte é muito mais antiga...  À época da Independência de Portugal, Peniche ainda era uma ilha. A ação das correntes marítimas e dos ventos, com o passar dos séculos, levou ao assoreamento da Foz do Rio São Domingos, vindo as areias a formar progressivamente um cordão de dunas que, consolidando-se, uniu a ilha ao continente.

 

O antigo lugar da Ribeira d’Atouguia, na foz desse rio, era um dos mais importantes portos portugueses da Idade Média, ponto de acesso privilegiado a localidades do centro do país. Sendo alvo constante de ataques de corsários ingleses, franceses e de Piratas da Barbária, o rei Manuel I de Portugal (1495-1521) encarregou o conde de Atouguia da elaboração de um plano para a defesa. 

 

A construção do chamado castelo da vila começou em 1557, sob a supervisão de D. Luís de Ataíde, e foi concluído por volta de 1570, ao tempo do reinado de D. Sebastião (1557-1578). 

 

À época da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), nela estiveram detidos alemães e austríacos, convertendo-se, durante o Estado Novo português (1930-1974), em prisão política de segurança máxima (1934), época em que se tornou palco de duas célebres e espetaculares fugas.

 

Ao longo dos últimos anos, este forte serviu de cenário para diversos filmes, quer portugueses, quer estrangeiros.

 

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